Wake In Progress...


Meus Filmes Preferidos

Só para registrar de forma meio caótica e espontânea meus filmes preferidos.Alguns serão esquecidos, infelizmente, mas, ao me lembrar, farei o possível para acrescentá-los.

   Bem, minha paixão pelo cinema não teve suas raízes em tempos próximos, nos quais eu assisto um filme com senso crítico, procurando enxergar suas metáforas, suas abordagens filosóficas, perspectivas histórias, sendo exigente quanto a atuação e ao roteiro, elegendo meus diretores favoritos, e os meus objetos de ódio.Ela surgiu quando tinha uns 5 anos de idade e fui apresentado a versão cinematográfica de O Mágico de Oz.Assisti essa coisa mágica e misteriosa(podem haver vieses sombrios, como aquela hipótese do Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, ser sincronizado com o filme) por vezes incontáveis, e depois disso, comecei a procurar assistir mais clássicos do cinema hollywoodiano.Dessa época, acho que me ficaram marcados Casablanca(que ainda é meu filme preferido, com meu ator preferido e minha atriz preferida) e Ben-Hur(entre outros épicos menos fortes).Já de poucos anos pra cá, comecei a assistir filmes procurando diversão e o que mais eu pudesse extrair deles, desde informação, um retrato de uma época, até beleza e poesia.Então, minha mente arde ao assistir novamente, ou lembrar, dos clássicos de Coppola, O Poderoso Chefão(eu acho a Parte II ainda mais poderosa) e Apocalipse Now, que traz uma versão aterradora do Vietnã e adapta um dos livros que mais mexeram com minha voluptuosidade literária, O Coração das Trevas, de Joseph Conrad(a adaptação é livre, que fique bem claro, o livro se passa na África e não no Vietnã, o livro fala sobre neo-colonialismo inglês e o filme sobre imperialismo norte-americano), de Sergio Leone e Três Homens em Conflito e Era uma Vez no Oeste, John Ford com Rastros de Ódio, filme no qual John Wayne interpreta um dos maiores desgraçados da história do cinema, um matador de índios em busca da sobrinha capturada por INDIOS, e que conta com uma das cenas finais mais extraordinárias já vistas, Ingmar Bergman com sua seriedade e mergulho na alma humana, principalmente nos maravilhosos O Sétimo Selo e Morangos Silvestres.Ainda tem o luxo de Visconti em O Leopardo(outra adaptação literária perfeita), a sabedoria oriental de Kurosawa em filmes como Os Sete Samurais e Rashomon, as seqüências oníricas de Fellini em Oito e Meio e A Doce Vida...Sem me esquecer do Visconti neo-realista de Rocco e seus irmãos.Ou da poesia de Chaplin em Tempos Modernos, da fúria de Scorsese em Os Bons Companheiros e Touro Indomável.Há também os cineastas mais jovens que produziram pérolas raras em um cinema muito voltado ao consumo desenfreado e que está muito ocupado em produzir filmes de ação fáceis, como Spike Lee, que apesar de ser chato e implicante, é simplesmente o cineasta mais honesto quando o assunto é racismo e a obra-prima chamada Faça a Coisa Certa, em toda a sua inquietação, mostra isso de forma inesquecível.Outros:Darren Aronofsky e seu Réquiem para um Sonho, David Fincher e Clube da Luta(Zodíaco também é um clássico moderno, o tipo de filme que não se faz mais desde os anos 70) e finalmente, para falar do filme mais recente, Paul Thomas Anderson e o esguicho de petróleo chamado Sangue Negro.Para não me esquecer de um veterano que está na ativa, e mais maduro do que nunca(sem piadas com a idade do cara) é o cowboy Clint Eastwood, que produziu uma obra-prima, Os Imperdoáveis, e atualmente nos traz projetos interessantes como a filmagem de uma batalha, no caso a de Iwo Jima, através da ótica das duas frentes de combate.Menção honrosa também aos irmãos Coen e Fargo e ao mestre do suspense Hitchcock(ajoelhe-se Shyamalan), com seu Um Corpo que Cai(eu ainda prefiro o título original, Vertigo).Espere ter lembrado do máximo que eu podia!

 

Post de Ricardo Amarante



Escrito por Felipe/Ricardo às 21h33
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Em Memória do genial Leonel Brizola

Agradecimentos ao Alan pela indicação.




Escrito por Felipe/Ricardo às 21h09
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E você? o que acha disto?


''Militantes exerceram direito legítimo''

Ele contesta a tese de que integrantes da esquerda que praticaram terrorismo podem ser processados se Lei de Anistia for revisada
Felipe Recondo

Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão contesta a tese de que militantes de esquerda que praticaram ato de terrorismo durante a ditadura militar possam ser processados caso o Judiciário revise o alcance da Lei de Anistia, punindo igualmente torturadores e terroristas. Na terça-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, lembrou que terrorismo, assim como tortura, é crime imprescritível de acordo com a Constituição. Integrantes do governo se irritaram com a declaração de Mendes e a interpretaram como uma resposta à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, militante de um grupo armado que lutou contra a ditadura militar, que dias antes havia dito ser favorável à punição dos torturadores. "O uso da palavra ?terrorista? era típica da linguagem do regime autoritário para justificar os atos de tortura. É uma expressão eivada de ideologia", afirma Abrão.

O sr. entende que militares e militantes de esquerda que cometeram algum crime à época da ditadura devem ser processados?

Não. Os militantes exerceram o direito legítimo de resistência e insurgência básico no liberalismo moderno. Vigorava uma ditadura que os perseguia, torturava e matava. Já foram processados em IPMs (inquéritos policiais militares) e muitos cumpriram penas duras, sem direito a contraditório e ampla defesa. Seus atos foram efetivamente políticos e, estes sim, anistiados explicitamente pela Lei de Anistia de 1979. Os torturadores eram os perseguidores e usaram a máquina administrativa para cometer crimes de lesa-humanidade e não políticos. Até hoje no Brasil não foram sequer processados, estão impunes. Há uma diferença ética e moral entre as condutas que não pode ser ignorada.
O ministro Gilmar Mendes diz que o crime de terrorismo é imprescritível. Portanto, a Lei de Anistia, se não beneficiou torturadores, não teria livrado também terroristas.
Há um avanço. O ministro disse que "os crimes de terrorismo também são imprescritíveis". Se ele disse "também", revelou seu entendimento de que os crimes de tortura são imprescritíveis. Isso é o mais importante para a luta em favor dos direitos humanos e contra a impunidade. Depois, tenho certeza de que, juridicamente, será demonstrado o contexto e a diferença ética entre atos de resistência e de repressão, entre crimes de natureza política e crimes comuns contra a humanidade. O guardião da Constituição não pode querer perdoar um erro pelo outro, em gesto político contra o direito que estabelece a imprescritibilidade.

Como o sr. analisa a afirmação do ministro de que os militantes de esquerda praticaram terrorismo?

Respeito, mas, como cidadão, não creio adequado que a autoridade máxima da nossa Justiça emita pré-juízo sobre um processo em que ele terá de se manifestar oficialmente, na ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Espero que ele se declare impedido por razões éticas. O uso da palavra "terrorista" era típica da linguagem do regime autoritário para justificar atos de tortura. É uma expressão eivada de ideologia. Os direitos humanos não podem ser ideologizados.

A interpretação da Lei de Anistia não virou questão de governo?

A questão da tortura não é uma questão de governo, é uma questão de princípio para o Estado, para o futuro de nossa democracia. O que está efetiva e suprapartidariamente em discussão é se a nação brasileira se funda no repúdio às práticas de tortura ocorridas, seja contra pessoas de esquerda ou de direita, em ditaduras de esquerda ou de direita, no passado, no presente ou no futuro. Ou se, por questão ideológica, somos e seremos contemplativos com acordos políticos para livrar criminosos em qualquer tempo da história.

Essa questão não deveria exclusivamente ser solucionada pelo Judiciário?

O movimento contra a impunidade é da sociedade civil e dos familiares. Se tivesse sido instituída uma ditadura do proletariado que tivesse torturado e matado, defenderíamos hoje peremptoriamente a responsabilização desses criminosos torturadores do mesmo modo. É uma questão de fundo sobre a afirmação da democracia e das liberdades públicas.

Diante dessas manifestações do presidente do STF, o sr. acha possível rever a anistia para militantes de esquerda?

Existe uma leitura política equivocada e somente agora os tribunais brasileiros deverão decidir qual a interpretação juridicamente válida. É a hora de o Judiciário brasileiro cumprir seu papel e sinalizar para o futuro.

O sr. acha possível o STF dar esse entendimento à Lei de Anistia?

Se o STF levar em conta os tratados internacionais de que o Brasil já era signatário desde a ditadura e que caracterizavam os crimes de tortura como imprescritíveis e de lesa-humanidade e analisarem corretamente a ação da OAB à luz da nossa Constituição, teremos um marco histórico, o mais forte e definitivo passo de consolidação institucional de nossa democracia dos últimos tempos.

O Brasil pode vir a ser condenado por organismos internacionais?

O Brasil admite que qualquer cidadão que se sentir lesado pode acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Já houve uma citação por audiência. A Corte pode determinar ao Brasil o cumprimento de suas sentenças. E sua jurisprudência já aponta que, em matéria de anistia, a competência da Corte retroage a antes mesmo da ratificação da convenção e mesmo a fatos anteriores à existência da própria Corte. A pior condenação, porém, é moral, a de figurarmos ao lado de outros países violadores de direitos humanos.

Quem é: Paulo Abrão

Mestre e doutorando em Direito pela PUC do Rio. Tem 33 anos
Foi assessor jurídico da Secretaria de Educação de Porto Alegre. Assumiu a Comissão de Anistia em abril de 2007


Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081106/not_imp273353,0.php

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 18h59
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Trigésimo Aniversário da Morte de Ernesto Guevara: assim era o "Che"

Por Ahmed Ben Bella - 29/08/2002


Há trinta anos, Che Guevara interpela nossas consciências. Além do tempo e do espaço, ouvimos o apelo do "Che" que nos obriga a responder: sim, só a revolução pode, algumas vezes, fazer do homem um ser de luz. Essa luz vimos irradiar de seu corpo nu, estendido em algum lugar no fundo do Nancahuazu, naquelas fotos dos jornais dos quatro cantos do mundo, enquanto a mensagem do seu último olhar continua a nos atingir no mais fundo da alma.
O "Che" era valente, mas um valente consciente, num corpo enfraquecido pela asma. Eu o acompanhava às vezes ao alto Chréa da cidade de Blida, quando presenciei a crise brônquica que ao chegar o empalidecia. Quem leu seu Jornal da Bolívia sabe com que saúde debilitada teve que enfrentar as terríveis provas físicas e morais que permearam seu caminho.
É impossível falar do "Che" sem falar de Cuba e das relações particulares que nos uniam, tanto sua história e sua vida estão ligadas a este país que foi sua segunda pátria antes de se dirigir para onde o chamava a revolução.
Conheci Ernesto Che Guevara na véspera da crise internacional do outono de 1962 ligada ao caso dos foguetes e do bloqueio à Cuba decretado pelos Estados Unidos. A Argélia acabava de se tornar independente e de constituir seu primeiro governo e, enquanto chefe desse governo, eu devia assistir, nesse mês de setembro de 1962, em Nova Iorque, à sessão da ONU de hasteamento da bandeira da Argélia no prédio das Nações Unidas; cerimônia que consagrava a vitória da luta de libertação nacional e a entrada da Argélia no grupo das nações livres.
O comitê político do FLN decidiu que esta viagem às Nações Unidas deveria prosseguir com uma ida à Cuba. Mais que uma visita, tratava-se, sobretudo, de um ato de fé marcando os engajamentos políticos. A Argélia desejava sublinhar publicamente sua total solidariedade com a revolução cubana, particularmente nesses momentos difíceis de sua história.
Convidado, em 15 de outubro de 1962 pela manhã à Casa Branca, tive francas e fortes discussões com o presidente John Fitzgerald Kennedy sobre Cuba. À questão direta que eu lhe colocava: "O Sr. orienta-se para um confronto direto com Cuba?" Ele não deixou planar nenhuma dúvida quanto as suas reais intenções e me respondeu: "Não, se não existirem foguetes soviéticos, sim em caso contrário." Kennedy tentou persuadir-me com insistência que eu não fosse à Cuba por um vôo direto saindo de Nova Iorque; invocando até a eventualidade de um ataque do avião da força aérea de Cuba que devia me transportar, pela oposição cubana instalada em Miami. A estas ameaças mal veladas respondi-lhe que eu era um "fellaga"* e que a ameaça dos harkis argelinos ou cubanos não me intimidavam.
Nossa chegada em Cuba, dia 16 de outubro, deu-se em meio a um entusiasmo popular indescritível. O programa previa discussões políticas na sede do partido em Havana desde da chegada de nossa delegação. Mas as coisas aconteceram bem de outro modo. Mal colocamos nossas malas onde deveríamos ficar, desobedecendo o protocolo, começamos a discutir com Fidel, Che Guevara, Raul Castro e outros dirigentes que nos acompanhavam.
Ficamos discutindo horas a fio. Eu trazia aos dirigentes cubanos a impressão que tive da entrevista com o presidente Kennedy. No fim desses debates calorosos entorno de mesas percebemos que havíamos respondido ao programa de questões que devíamos estudar e que nosso encontro na sede do partido não tinha mais objeto. E, de comum acordo, decidimos passar diretamente ao programa de visitas pelo país.
Esta anedota dá uma idéia das relações totalmente despojadas de protocolo que deviam assim, e desde o começo, ser a característica essencial, a norma dos laços unindo a revolução cubana e a revolução argelina e os laços pessoais que me uniram a Fidel Castro e Che Guevara.
Esta solidariedade será confirmada de maneira espetacular no momento do primeiro alerta grave que ameaçou a revolução argelina com o caso de Tindouf em outubro de 1963. Nosso jovem exército, mal saído de uma luta de libertação, que não possuía ainda nem cobertura aérea – já que não tínhamos nem mesmo um avião – nem forças mecanizadas, foi atacado pelas forças armadas marroquinas no terreno que lhe era mais desfavorável. Ele só podia usar os únicos métodos que conhecia e experimentara durante a luta de libertação: quer dizer a guerra de guerrilha.
O deserto e suas vastas extensões desnudas estavam longe das montanhas de Aurés, de Djurdjura, da quase ilha de Collo ou de Tlemcen que havia sido seu meio natural e do qual conhecia todos os recursos e segredos. Nossos inimigos decidiram que era preciso quebrar o elã da revolução argelina antes que se tornasse forte demais e carregasse tudo por onde passasse.
O presidente egípcio Nasser apressou-se em nos oferecer a cobertura aérea que nos faltava, e Fidel Castro, Che Guevara, Raul Castro e os dirigentes cubanos nos enviaram um batalhão de vinte e dois blindados e várias centenas de soldados conduzidos a Bedeu, ao Sul de Sidi Bel Abbès onde lhes visitei, e que estavam prontos se esta guerra das areias prosseguisse.
Estes carros possuíam um dispositivo infravermelho permitindo-lhes intervir à noite; tinham sido doados à Cuba pelos soviéticos sob condição expressa de não serem colocados nas mãos de países terceiros, inclusive estados comunistas, como a Bulgária. Apesar destas restrições de Moscou e passando por cima de tabus, os cubanos não hesitaram em enviar seus carros em socorro da revolução argelina em perigo.
A mão dos Estados Unidos estava bem evidente atrás dos acontecimentos de Tindouf; sabíamos que os helicópteros que transportavam as tropas marroquinas eram pilotados pelos Americanos. Foram as mesmas razões de solidariedade internacional que conduziram mais tarde os dirigentes cubanos a intervir além do Oceano Atlântico, em Angola e alhures.
As circunstâncias que presidiram a chegada deste batalhão blindado merecem ser relatadas, pois ilustram mais que qualquer outro comentário, a natureza de nossas relações privilegiadas com Cuba.
Em outubro de 1962, no momento de minha visita a Cuba, Fidel Castro queria honrar a promessa que seu país nos havia feito de fornecer uma ajuda de 2 bilhões de francos antigos. Levando em conta a situação econômica de Cuba nos seria enviada, não em divisas, mas em açúcar. Apesar de minha recusa, pois considerava que, naquele momento, Cuba tinha ainda mais necessidade do açúcar que nós, ele não quis saber.
Cerca de um ano depois dessa discussão, um navio cargueiro cubano atracou no porto de Oran. Junto com a carga de açúcar prometida, tivemos a surpresa de encontrar duas dezenas de carros e centenas de soldados cubanos vindos em nosso socorro. Foi numa folha arrancada de um caderno escolar que Raul Castro enviou-me uma breve mensagem para anunciar este gesto de solidariedade.
Certamente, não podíamos deixar esse navio partir vazio, enchemo-lo de produtos argelinos e, a partir do conselho do Embaixador Jorge Serguera, acrescentamos alguns cavalos árabes. Assim começou entre nossos países uma troca de caráter não comercial, sob o selo da solidariedade e que, ao grado das circunstâncias (e das obrigações), foi um elemento original de nossas relações.
Che Guevara era particularmente consciente das restrições inumeráveis que entravam e enfraquecem uma verdadeira ação revolucionária, assim como os limites que afetam qualquer experiência, mesmo a mais revolucionária, quando confrontada às regras implacáveis da lei do mercado e da racionalidade mercantil. Denunciou-as publicamente durante a Conferência afro-asiática mantida em Alger em fevereiro de 1965. Além disso, as condições aflitivas da conclusão do caso dos foguetes instalados em Cuba e o acordo entre a União Soviética e os Estados-Unidos deixaram um gosto amargo. Tive, aliás, uma troca de palavras bem duras com o embaixador soviético em Alger. Tudo isso conjugado com a situação que prevalecia na África, deixava esperar imensas potencialidades revolucionárias e conduziu "Che" a considerar que uma rede fraca do imperialismo encontrava-se no nosso continente e que devia doravante dedicar forças a isso.
Tentava lhe explicar que não era talvez a melhor maneira de ajudar o amadurecimento revolucionário que se desenvolvia no nosso continente. Se uma revolução pode e deve encontrar ajuda externa, deve, entretanto, criar seus próprios recursos internos sobre os quais se apoiar. O que não impedia que Che Guevara mantivesse seu engajamento total e físico. Ele foi para Cabinda (Angola) e Congo-Brazzaville várias vezes.
Recusou o avião particular que eu quis colocar à sua disposição para garantir uma maior discreção dos seus deslocamentos. Alertava então os embaixadores da Argélia em toda a região para que se colocassem à sua disposição. Eu o revia toda vez que voltava da África negra e passávamos longas horas a trocar idéias. Voltava sempre impressionado pela fabulosa riqueza do continente, mas pouco satisfeito com suas relações com os partidos marxistas dos países visitados e cujas concepções o irritavam. Esta experiência de Cabinda conjugada com a que fará em seguida com a guerrilha na região da ex-Stanleyville o tinha decepcionado muito. Paralelamente à ação do "Che", levávamos uma outra ação para a salvaguarda da revolução armada no oeste do Zaire. De acordo com Nyerere, Nasser, Modibo Keita, N´Krumah, Kenyatta e Sekou Touré, a Argélia, através de uma verdadeira ponte aérea, mandava sua contribuição enviando armas via Egito, enquanto Ouganda e Mali se encarregavam de fornecer oficiais militares. Estávamos no Zaire reunidos por minha iniciativa quando concebemos este plano de salvação e começamos a aplicá-lo quando um apelo desesperado chegou dos dirigentes da luta armada. Infelizmente, apesar de nossos esforços, nossa ação interveio tarde demais e esta revolução afogou-se em sangue pelos assassinos de Patrice Lumumba.
Durante uma de suas estadias em Alger, Che Guevara me falou de um pedido de Fidel. Cuba estado sob forte vigilância, nada podia ser seriamente organizado em direção à América Latina para encaminhar armas e oficiais militares treinados em Cuba. A Argélia poderia substituir? A distância não era uma desvantagem maior, bem ao contrário, podia contribuir com o segredo necessário ao sucesso de uma operação desta importância.
Minha resposta foi com certeza um "sim" espontâneo. E logo começou a implantação das estruturas de recepção para os movimentos revolucionários da América Latina, colocados sob o controle direto de Che Guevara. Rapidamente, os representantes de todos os movimentos revolucionários foram para Alger, onde o encontrava muitas vezes em companhia do "Che".
Um estado-maior reagrupando os movimentos se estabelece nos cumes de Alger em uma grande cidade rodeada de jardins que tínhamos, simbolicamente, decidido lhes atribuir. Esta casa Susini foi um lugar célebre cujo nome passou à posteridade. Durante esta luta de libertação nacional foi um centro de tortura onde numerosos resistentes encontraram a morte.
Um dia, Che Guevara me disse: Ahmed, recebemos um duro golpe, homens levados à casa de Susini foram aprisionados na fronteira entre dois países (não lembro os nomes) e temo que falem sob tortura". Ele temia que o segredo do lugar onde se preparava as ações armadas fossem descobertos e que nossos inimigos percebessem a verdadeira natureza de nossas sociedades de importação-exportação que havíamos implantado na América do Sul.
Che Guevara havia saído da Argélia quando houve o golpe militar de 19 de junho de 1965 contra o qual, aliás, me preveniu. Sua saída de Alger, depois sua morte na Bolívia e meu próprio desaparecimento por quinze anos devem ser estudados no contexto histórico que marcou o refluxo que se seguiu à fase das lutas de libertação vitoriosas. Este refluxo marcou o fim depois do assassinato de Lumumba, dos regimes progressistas do terceiro-mundo e entre outros os de N´Krumah, de Modibo Keita, Soekarno, Nasser, etc.
Esta data de 9 de outubro de 1967 inscrita em letras de fogo na nossa memória evoca um dia incomensuravelmente sombrio para o prisioneiro solitário que eu era, enquanto as rádios anunciavam a morte de meu irmão e que os inimigos que combatíamos juntos entoavam seus sinistros cantos de vitória. Quanto mais nos distanciamos desta data, quando vêm à memória as circunstâncias da guerrilha que ganhou fim neste dia em Nancahuazu, mais a lembrança do Che está presente no espírito daqueles que lutam e esperam. Mais que nunca, se insere na trama de suas vidas cotidianas. Alguma coisa do Che continua viva em seus corações, suas almas, escondida como um tesouro na parte mais profunda, secreta e rica de seus seres, reaquecendo sua coragem, atiçando suas energias.
Um dia de maio de 1972, o silêncio opaco de minha prisão cuidadosamente guardada por centenas de soldados foi quebrado por uma grande algazarra. Assim, soube que a alguns metros dali, Fidel lá estava visitando uma fazenda modelo bem próxima e ignorando com certeza que eu me encontrava nessa casa moura isolada sobre a colina da qual ele podia perceber o telhado acima do cume das árvores. Foi certamente pelas mesmas razões de discreção que esta casa foi escolhida pelo exército colonialista como centro de tortura.
Nesse momento, inúmeras lembranças vieram ao meu espírito, uma coleção de rostos, tal um filme, patinava pelo tempo, desfilava na minha cabeça, e nunca depois de nos termos deixado, Che Guevara esteve tão vivo na minha memória.
Na verdade, a lembrança dele nunca nos deixou, minha esposa e eu. Uma grande foto do Che ficou sempre dependurada nos muros da nossa prisão e seu olhar foi o testemunho de nossa vida cotidiana, de nossas alegrias e tristezas. Mas uma outra foto, pequena cortada de uma revista, que colei num cartão e protegi com um plástico sempre nos acompanhou nas nossas peregrinações. É a mais querida aos nossos olhos. Encontra-se hoje em Maghnia, minha cidade natal, na casa de meus pais que não são mais e onde depositamos nossas mais preciosas lembranças antes de partir para o exílio. É a foto de Ernesto Che Guevara estendido, torso nu e cujo corpo irradia tanta luz. Tanta luz e tanta esperança.

* líder da libertação da Argélia e primeiro ministro do país de 1962 a 1965.


Fonte: http://www.forumsocialmundial.org.br/dinamic/bella.php

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 18h52
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Marxismo, Marxismo vulgar e Marxismo cabeçudo

Karl Marx produziu uma obra extensa, mesmo seu ambicioso O Capital não tendo sido concluído(com apenas um livro publicado em vida do autor, e dois póstumos, faltando um projetado, e parcialmente escrito, quarto).Foi desde um panfleto inflamado como O Manifesto Comunista, passando por por obras mais bem estruturadas e dotadas de um senso crítico impressionante, como A Ideologia Alemã e Manuscritos Econõmicos-Filosóficos(os dois primeiros escritos na companhia de Friedrich Engels), chegou a um pesado, minucioso e maduro tratado sobre a produção e organização do capitalismo.O título do livro é O Capital:Crítica da Economia Política, e os avatares da economia clássica(Adam Smith, David Ricardo)são jogados ao chão por uma análise nova.Obra de fôlego e gênio, que inspirou muitos a seguirem seus passos, suas idéias ou seu modo de escrever:os marxistas.
  Porém, muitos desses marxistas se apropriam das idéias de seu mestre para falarem absurdos ou coisas limitadas.Hobsbawn, um dos grandes marxistas(e um bom marxista)e historiador de tudo o que existe sobre a face da Terra(e talvez fora dela), chama isso de marxismo vulgar.Mas alguns vão além do vulgar:falam, berram e deturpam as idéias de Marx sem nem se incomodarem em ler uma obra tão rica, que lhes ensinaria muito, ou inspiraria.Esses pseudo-marxistas cabeçudos infelizmente lotam os sindicatos, as universidades e alguns partidos políticos.Não seria bom pelo menos se informar sobre o que Marx disse antes de espalhar idéias deturpadas de modo agressivo, querendo conduzir multidões de 10 pessoas, como se a revolução fosse acontecerá amanhã?É triste ver o que fazem com personagem tão brilhante da história, literatura, filosofia, sociologia, economia, inclua-o onde quiser.Quem deturpa seus escritos não merecia ser chamado de marxista, muito menos de comunista ou socialista(parece que ninguém mais sabe diferir os dois).Antes ler, conhecer e não concordar do que fazer pose de que leu, vestir vermelho e distorcer grandes páginas de pensamento.

Post de Ricardo Amarante



Escrito por Felipe/Ricardo às 21h42
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What Europe Wants from Obama parte 2

Diego Hidalgo is co-founder of the Spanish newspaper El Pais and a member of the European Council on Foreign Relations.

"I would first expect the new US president to convey to the world the strong message that the days of arrogant unilateralism are over. The next US president will face a megacrisis in the US and the world, with several interrelated threats which cannot be resolved at the nation-state level but call for concerted action and for a new and much stronger international governance architecture. The megacrisis that started in the financial sector threatens to depress the world economy, affects the whole world, and offers an opportunity for breakthrough in world governance. The first priority for the US president should be to initiate a "world constitutional period" during which he would develop coordinated responses to the four perhaps most urgent problems: resolve the financial and economic crisis, undertake the measures needed to face climate change, end extreme poverty and hunger throughout the world and end the main wars and conflicts.
The new US president will have to commit not just to cooperate internationally but to revamp or create international institutions able to confront the four issues mentioned above as well as others like pandemics, nuclear proliferation, disarmament and decreases in military budgets throughout the world and cooperation against terrorism. Strengthening the UN, World Bank and IMF will require engaging not only the EU but particularly China and India, and giving an increased role to them and to new powers (like Brazil).
In addition to strengthening the multilateral system of governance, the US has an opportunity to regain the moral leadership and credibility lost over the last eight years by closing Guantanamo Bay, strengthening international law, putting all its weight into resolving the Palestinian-Israeli conflict as well as the conflicts of Israel and Syria and Lebanon, and exiting Iraq as soon as feasible. A measure of moral leadership, which I am realistic enough not to expect, would be for the US to join the International Criminal Court (ICC)."


Dr. Jean-Yves Haine is a senior researcher for trans-Atlantic and global security at the Stockholm International Peace Research Institute in Sweden.

"Electing Obama will in itself boost the US image abroad. Europe is looking with admiration and envy at Obama, a symbol of something that is still impossible to achieve in many European countries. After the election, symbolic but important gestures could be made: Guantanamo closure (easier said than done), the torture and rendition legacy, some amendment of the Patriot Act (but not much). Mostly, the tone and language will be crucial: to end the rhetoric of the war on terror, the us-versus-them mantra. ... This will be necessary if the US wants to resume its role of honest broker in the Middle East (but the burden of past decisions will be particularly heavy)."


Loukas Tsoukalis is a professor of European integration at the University of Athens and a special advisor to the president of the European Commission.

"The first priority for the next White House must be to flexibly and effectively tackle the global financial crisis. This will require cooperation with others. The financial crisis, however, also provides an opportunity for a new global economic order, which must include a radical reform of international institutions like the IMF. These institutions need to be modernized so they can address new challenges, rather than the challenges of the 1960s. To achieve this, they need to reflect the current distribution of power in the world, not the distribution of power that prevailed in the aftermath of World War II.
It will be important that the new president takes a more multilateral approach to dealing with the world's problems. Even Mr. Bush, late in the game, proved willing to discuss reforming the way international financial institutions are run.
It strikes me that Obama is more willing and able to adjust to the new era. Obama seems more psychologically attuned to this new world in which power is and will continue to be distributed much more broadly than in the past.
Of course, some kind of disappointment with the new president is inevitable. In a way, Obama provides more potential for disappointment because expectations for him are so high in Europe. But the world can't change totally from one day to the next. The interests of the United States and the European Union are not always exactly the same, and it would be foolish for Europeans to expect that the United States will stop pursuing its interests.
On Afghanistan, I would hope that the new president undertake a serious reassessment of whether that war is winnable, and of what we mean by "victory." I also hope he will sit down with leaders in Iran.
As a Greek, I'm especially interested in the Balkans, and also in Turkey. The US should continue to encourage Greece and Turkey to normalize their relations. In the Balkans, I would hope that the next US administration would take a more cooperative approach. Up to now, the United States has tended to present its allies with faits accomplis in this region of the world, particularly regarding Kosovo. You cannot start negotiations having already announced what the final outcome will be. It's especially regrettable because in the Balkans, there isn't really any divergence of interests between the US and the EU.
Russia is a different matter. Europe has an interdependent relationship with Russia as far as energy is concerned. The United States does not. How will the next US president handle Putin and Medvedev? As an enemy to contain? Or are there opportunities for partnership?"

Fonte: http://www.spiegel.de/international/europe/0,1518,588190,00.html

Post de Felipe Honorato.



Escrito por Felipe/Ricardo às 15h49
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What Europe Wants from Obama

Através de uma série de diálogos travados por email, o jornal alemão "Der Spiegel" descobriu o que os principais líderes europeus desejam do novo presidente estadunidense.Aqui vão alguns destes diálogos:

Margot Wallström of Sweden is the vice-president of the European Commission, the European Union's executive.

"On Tuesday the American people cast their votes electing a new President of the United States. I believe we are entering into a new era of trans-Atlantic relations.
In these times of extreme financial instability, it is more important than ever to strengthen trans-Atlantic relations and work together to solve global problems. Europe and the US share the same goals and values. We both want a peaceful, prosperous and stable world, where democracy is the norm, the rule of law prevails and human rights are respected.
Even more importantly, the biggest concerns facing us today are of a global nature. The financial crisis, climate change, security, the fight against poverty, hunger and disease in the developing world are all challenges that neither Europe nor the US can take on single-handed.
In order to stop the effects of climate change, developed countries must lead by good example. This is why EU leaders have committed themselves to cutting carbon emissions by 20 percent by 2020. If there is international agreement, the EU will deepen this cut to 30 percent. The EU is also committed to cutting energy consumption by 20 percent, with the aim of becoming the world's most energy-efficient region. I urge the US to take similar steps, working together with the EU on cutting emissions drastically and developing new energy technologies that generate smart, sustainable growth. I invite the new US president to take a leading role in paving the way for a global agreement on climate change in 2009.
Finally, the US has been particularly successful in creating growth and jobs, and maintaining competitiveness through technological innovation rather than low labor costs. The EU on the other hand has brought forward an ambitious climate change package and works hard to promote social justice. As we have seen in Scandinavia -- where the concept of the flexicurity seems to have been born -- it is possible to combine economic growth with social justice. This involves promoting the well-being of the whole society and tackling injustices such as gender inequality, which manifests itself the most clearly in the pay gap between men and women. In the US, men earn 20 percent more money for the same job as women; in Europe, this figure amounts to 15 percent on average.
I believe the era of US unilateralism is over, and that partnership with Europe has become a central plank of US foreign policy. In this light, I invite the new US president to join the EU in shaping the future we all want -- a stable, peaceful and increasingly prosperous world. A world where development is sustainable and in which democracy is not imposed but nurtured."


Stavros Dimas, a native of Greece, is the European Commissioner for the Environment.

"The European Union has been waiting for a long time for America to join us in taking serious action to address the world's environmental challenges.
The need has never been greater. The world is facing a double environmental crisis involving accelerating climate change and unprecedented loss of biodiversity. Yet the US has ratified neither the Kyoto Protocol nor the international Convention on Biodiversity.
The US elections come at a crucial time. For climate change, 2009 is the final year of negotiations that should culminate in agreement on a strengthened multilateral climate change regime for the period after 2012. We need the new US administration to seize the opportunity and position itself on the side of the global environment.
Certainly there has been some cause for optimism. Both presidential candidates have been on record as saying they support mandatory reductions that would cut greenhouse gas emissions to 1990 levels by 2020. This is a start, though it falls far short of what is needed to tackle climate change seriously. Both have also come out in favour of "cap and trade" systems like Europe's emissions trading system as an important part of the solution. This is a significant and positive change.
Above all we need to break the vicious circle whereby the US on the one hand and the major emerging economies on the other refuse to take action unless the other moves first. It is time for the US to show leadership on this.
The developed world not only bears the greatest historic responsibility for climate change but also possesses the financial and technological means to tackle it. We in the EU have shown our determination by committing to cut our emissions by at least 20 percent of 1990 levels by 2020. We will increase this cut to 30 percent if our partners in the developed world commit to making comparable reductions.
To prevent the worst consequences of climate change the world will need to lower total emissions by at least half of their 1990 levels by 2050. To achieve that we have to move fast: Global emissions need to peak within the next 10 to 15 years. This can only be achieved if the US and the major emerging economies join the EU in taking bold action."


Hans Blix was head of the International Atomic Energy Agency from 1981 to 1997 following a stint as foreign minister of Sweden. In the three years leading up to the 2003 US-led invasion of Iraq, he was in charge of searching for weapons of mass destruction in the country.

"The global financial system has been rocked by the recent crisis and Mr. Obama will have to bring about early discussions about a broader agenda and broader participation in the institutions for international financial cooperation like the IMF and the G-8. During a global recession he will have to resist protectionist pressures from important groups who supported him.
Obama should be able to use the strong public opinion in the US to make the country help frame drastic global policies against dangerous climate change and environmental destruction. Technological innovation should be promoted, like fuel cells for cars. Energy must be generated more efficiently and used less wastefully. Obama should stimulate the use of effective renewable sources and overcome any hesitation against a rapid expansion of nuclear power.
In international affairs, Obama will have to steer away from the arrogant unilateralism of the Bush years and explain to the public that the interdependence of states and peoples is fast accelerating. In this modern world a constructive use of multilateral institutions like the UN is a necessity. They are indispensable mechanisms where reconciliation of interests can take place and joint action can be organized.
Obama was ridiculed by his opponents for saying that he was ready to talk with adversaries. He was right and his administration should act on this principle. To talk is not to concede. The Bush administration has had a tendency to talk to others rather than with others. The worst example has been the demand that Iran must suspend its program for the enrichment of uranium before the US will sit down for direct discussions.
When it comes to US withdrawal from Iraq, Obama should take the stance that no US troops should stay longer than the host government wishes. The Bush administration, while intending to withdraw the bulk of US forces, has clearly wanted to retain some US troops in less visible bases. The aim seems to be more to protect US interests in Iraqi oil and to have springboards for possible actions against Iran than to protect Iraq.
For Obama, Iraq was the "dumb" war and Afganistan -- where 9/11 was planned -- was the place where all resources should have been projected. He wants a surge in Afganistan but there is a risk that the opportunity for success has already been lost and that American and other foreign troops are now seen more as foreign than as liberators. To abandon the country to renewed medieval style rule is not a possible American policy, but reconciliation with and involvement by parts of the Taliban might be a possibility. Iran and Russia could provide important help if the US can relax relations with these countries.
On Iran, precious time has been lost during which the country has moved closer to a capability to make bomb grade material. Rather than humiliating Iran by declaring -- as if to a child -- that "Iran should behave itself," the US should seek to identify and remove the incentives Iran may have to enrich uranium. To forego enrichment, Iran needs iron-clad assurances of supply of uranium fuel for its nuclear power program. Although Iran is no longer threatened by neighboring Iraq, it still feels threatened by the US. Washington should be ready to offer Iran security guarantees and diplomatic relations if the country abandons the option to make bomb grade material.
Obama has rightly endorsed the call by a large number of foreign policy experts led by George Shultz, Henry Kissinger, Sam Nunn and William Perry for the US to take the initiative in nuclear disarmament. In 2007 the world spent $1.3 trillion (€1 trillion) on military expenses -- about half of this expense came from the US budget. Taming the military-industrial complex is difficult in any country but starting a new era of international disarmament could help Mr. Obama to move huge sums from arms to health care, social welfare and education.
Early US ratification of the comprehensive nuclear test ban treaty would send a dramatic signal that an era of global disarmament has begun. Preventing non-proliferation will be less difficult in a world in which those states possessing nuclear weapon states renounce the license they have given themselves up till now."


Soli Özel is a professor of political science and international relations at Istanbul's Bilgi University.

"I rejoice at Obama's election, but we must be careful not to over-invest in him. Expectations for Obama are already too high. No one can meet them. As far as international relations are concerned, anything that is non-Bush will obviously be welcomed by the rest of the world. But the United States is still the United States, and one man can't change the whole machinery of US government.
One of the things Obama will have to contend with is the fixation Americans have with the idea of American exceptionalism. This philosophy -- that everyone is the world must toe the American line -- was extreme under Bush. Some humility and capacity for dialogue would be good. I think Obama has the personal character to pursue policy in this way, but it remains to be seen whether he will manage to bring along with him the entire machinery of American foreign policy.
Will the United States under Obama accept a reshuffling of the power distribution that structures the UN Security Council, the World Bank and the IMF? Will the US accept that while they might be primus inter pares, they are no longer a world hegemon? Here I think we might be disappointed.
Turkey will be important for the United States no matter who comes to power, and Turkish-US relations will need to be well managed. I think Obama will be better for the world, and also better for Turkey. Some in Turkey have pointed to Obama's support for the US Congress's Armenian Genocide Resolution and have suggested that McCain, who opposes the resolution, would actually be a better friend to Turkey. I disagree. Obama has people around him who know Turkey very well, and I believe he'll prove to be a good partner for Turkey.
I wonder if he is going to be able to seriously tackle the Israeli-Palestinian issue. He won't necessarily have a stronger hand there than previous administrations, but it does seem to me there is increasing realization in Israel that time is running out. On the other hand, the Israeli right-wing is more entrenched than ever. We'll see."


Karsten Voigt is the coordinator of German-American relations for the German government.

"First, I hope that the new US president will not try to stave off European climate policy initiatives, but will instead work together with us to promote initiatives. Second, Europe and the USA should act in concert to overcome the economic and financial crisis. Third, the US needs to proceed with active policies of disarmament and arms control. Fourth, I want to see the closure of Guantanamo. Fifth, I would like to see the new president pursue critical and yet cooperative policies in its approach to Russia. In general, the US needs to consult more intensively with its allies about important decisions, rather than just informing them."


Poul Nyrup Rasmussen, a former Danish prime minister, is president of the Party of European Socialists in the European Parliament.

"Obama promises to renew American diplomacy, and to talk to foes as well as friends. This would make an enormous difference.
There are so many issues which need to be tackled, but one which I believe is very important is reform of the international financial markets. I have had many meetings with the US Democrats about what needs to be done and I am sure we can work together on new joint regulation of financial markets, and that we can reach a common position on new roles for the IMF and other global financial institutions. The Democrats have the same wish as us -- financial markets that sustain jobs in modern industries instead of seeking excessive short-term profits at the expense of other priorities.
Obama has one huge advantage over Bush -- he does not see the world only as a security problem. He knows there are other equally pressing issues: climate, energy, poverty, disease, peace -- some of them part of the root causes of terror.
A US president who showed commitment to the well-being of ordinary citizens would generate renewed interest in social justice worldwide. Where Bush cut social spending and gave tax cuts to the super rich, Obama's Plan for America offers clear commitments to widen healthcare, tackle poverty and improve education for all. It would be good not only for the workers of America but also for social democracy in Europe and elsewhere. America could inspire people throughout the world in a way it has not done since the civil rights movement.
Obama's message of change brings hope. A new, young, gifted president offering the possibility of a new dialogue on the world's problems. We should welcome it with open arms."


Denis MacShane, 60, is Great Britain's former minister of state for Europe and a Labour Party member of parliament.

"First of all, I would like to modify the words of John F. Kennedy: We should not ask ourselves what the United States can do for Europe. Instead, we should ask ourselves what the EU can do for a functioning partnership with America. Europe needs more coordination. The Europeans must make a stronger effort to speak with one voice when it comes to security policy. Only then can the EU gain greater influence in Washington. Conversely, of course, we would like to see the new president remain in a dialogue with the world. An isolationist, inward-looking, protectionist America would leave the world at the disposal of the new powers and ideologies, which have nothing but contempt for democracy, freedom of opinion and human rights, especially the rights of women. But if the leaders in Europe and America live up to the challenge, the Euro-Atlantic alliance, together with the democracies in Asia and Latin America, will be able to shape the 21st century."


Jose Bové, 55, is a French farmer and trade unionist, anti-globalization activist and a pioneering radical opponent of the cultivation of genetically manipulated grain and vegetable crops.

"My wish for the new president focuses on two key issues: To finally arrange for the withdrawal of troops from Iraq and a clear and decisive commitment to climate and the environment. An area in which the United States has a lot of catching up to do."


Omid Nouripour, a native of Iran, is a member of the German Parliament representing the Green Party.

"The security of the entire Middle East is the foremost challenge of the international community: We must avoid a vicious circle of armament stemming from the conflicts there, defend the rights and dignity of the people, and thus build a lasting peace. Dear President Obama: I would like to ask you for two things: First and most importantly that you rule out the option of military action against Iran. An attack on Iran would have uncontrollable political consequences in the entire Middle East -- from Lebanon to Iraq, the United Arab Emirates and all the way to Afghanistan. Moreover, it would guarantee the re-election of the current President Mahmoud Ahmadinejad, who otherwise stands very good chances of losing the next election due to his disastrous economic policies.

The second favor I have to ask concerns the vivid civil society in Iran. I put so much emphasis on this point because I intimately know the Iranian people and their will to change things and take their fate into their own hands. The women's right activists, students, labor unions, journalists, bloggers, artists -- they all make up the backbone of the liberation movement in the country. To help these people is to help the cause of democracy and progress. The US cooperation with the Iranian civil society needs to be reorganized. Your country gives over $100 million per year to the so-called "Iran Democracy Fund" (IDF), which is supposed to help the "velvet revolution," as President Bush called it. The results are disappointing and even counterproductive. In Iran itself, the money is lost in corrupt structures or goes to ineffective projects.

And what is worse, the IDF has become a pretext for the Iranian regime to pursue unpleasant civil society activists, accusing them of taking American money and working as spies for the USA. Besides, the IDF and its declared goals hampers the collaboration of international NGOs with civil society activists in the country, placing them under the suspicion of working directly for a revolution in Iran -- a threat the regime cannot ignore. Therefore I ask you urgently: stop the activity of the IDF. There is only one way to effectively help the progressive forces in the country: Talk with them, seriously consider their arguments and give them an echo in the international community."




Escrito por Felipe/Ricardo às 15h45
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Ecos da Vitória parte 2

The Times - Inglaterra

Forty Acres: a poem for Barack Obama from Nobel winner Derek Walcott
The West Indies poet Derek Walcott, winner of the 1992 Nobel Prize for Literature, writes exclusively for The Times to mark the election of Barack Obama as President


"Out of the turmoil emerges one emblem, an engraving —

a young Negro at dawn in straw hat and overalls,

an emblem of impossible prophecy, a crowd

dividing like the furrow which a mule has ploughed,

parting for their president: a field of snow-flecked

cotton

forty acres wide, of crows with predictable omens

that the young ploughman ignores for his unforgotten

cotton-haired ancestors, while lined on one branch, is

a tense

court of bespectacled owls and, on the field's

receding rim —

a gesticulating scarecrow stamping with rage at him.

The small plough continues on this lined page

beyond the moaning ground, the lynching tree, the tornado's

black vengeance,

and the young ploughman feels the change in his veins,

heart, muscles, tendons,

till the land lies open like a flag as dawn's sure

light streaks the field and furrows wait for the sower."

Fonte: http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/us_and_americas/us_elections/article5088429.ece

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 15h16
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Ecos da Vitória parte 1

El Clarín - Argentina

La vida excepcional de un hombre llamado Obama

La historia del elegido presidente de Estados Unidos es completamente distinta a la de cualquier otro estadounidense. Tan diferente que sus detractores lo acusan de ser "un extranjero". En primer lugar, su nombre no es ni John, ni David ni Steve. Es Barack Hussein Obama, en honor de su padre, quien nació y creció en una aldea de Kenia y que vino en los '60 a estudiar a EE.UU. Además, Obama es fruto de una pareja que rompió las barreras raciales de la época. Padre negro, madre blanca -Ann Dunham- de la conservadora Kansas, Obama nació en Hawaii, el 4 de agosto de 1961. Tampoco su infancia fue la de la familia Ingalls. Sus padres se separaron y su papá se volvió a Kenia, de dónde sólo regresó una vez para visitar a su hijo. Murió poco después en un accidente de auto, en Africa.
Su mamá volvió a casarse y siguió a su nuevo marido, que se instaló en Indonesia. Allí vivió por unos años el pequeño Barack, hasta que unos años después volvieron a los EE.UU. y Obama siguió sus estudios en Hawaii. En algunos momentos turbulentos de su adolescencia, consumió marihuana y cocaína, según admitió. Con el tiempo se mudó a Nueva York, donde se graduó en Relaciones Internacionales en la Universidad de Columbia y luego rechazó algunos puestos en estudios neoyorquinos que le ofrecían bastante dinero y que quizás habrían deslumbrado a un joven con ambiciones. Pero él precisaba otra cosa y por eso puso proa hacia Chicago en 1985.
Allí encabezó un grupo -patrocinado por su iglesia- en el que trabajaba para mejorar las condiciones de vida en los barrios afectados por la delincuencia y el alto nivel de desempleo. Su trabajo como organizador comunitario logró algunas metas, pero Barack, según cuenta en su biografía, sintió que se necesitaba aún algo más para cambiar la vida de las personas.
Entonces se inscribió en Harvard para estudiar derecho. Obtuvo el título de abogado en 1991 y fue el primer editor de raza negra de la prestigiosa revista de leyes de esa universidad. Poco después volvió a Chicago a ejercer derecho civil y enseñar derecho constitucional. En esa ciudad conoció a Michelle Robinson, abogada también, con la que se casó en 1992 y tuvieron dos hijas. Su carrera política comenzó como senador en Illinois, donde asumió en 1997. En 2004 se lanzó a nivel nacional y obtuvo su banca en la Cámara alta de Washington, ayudado por el espaldarazo que significó su discurso en la convención demócrata que nominaba ese año a John Kerry.
Obama ahora alcanzó el máximo escalón de la carrera política. Lo hace revitalizado, tras haber derrotado en la interna a una figura de máximo nivel del partido como Hillary Clinton, y haber elegido a Joe Biden como compañero de fórmula. Hoy, este hombre de historia excepcional marcó otro hito: se convirtió en el primer presidente de raza negra de los EE.UU.

Fonte: http://www.clarin.com/diario/2008/11/05/um/m-01796299.htm

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 15h14
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The history and the maker!

Primeiro discurso de Barack Obama como presidente eleito dos Estados Unidos da América, proferido em Grand Park,Chicago.

"Olá, Chicago!

Se alguém aí ainda dúvida de que os Estados Unidos são um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa democracia, esta noite é sua resposta.
É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de escolas e igrejas em um número como esta nação jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas, muitas delas pela primeira vez em suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.
É a resposta pronunciada por jovens e idosos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, indígenas, homossexuais, heterossexuais, incapacitados ou não-incapacitados.
Americanos que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de indivíduos ou um conjunto de estados vermelhos e estados azuis.
Somos, e sempre seremos, os EUA da América.
É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem céticos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História e torcê-lo mais uma vez em direção à esperança de um dia melhor.
Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou aos EUA.
Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do senador McCain.
O senador McCain lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pelo país que ama. Agüentou sacrifícios pelos EUA que sequer podemos imaginar. Todos nos beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.
Parabenizo a ele e à governadora Palin por tudo o que conseguiram e desejo colaborar com eles para renovar a promessa desta nação durante os próximos meses.
Quero agradecer a meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens e mulheres com os quais cresceu nas ruas de Scranton e com os quais viajava de trem de volta para sua casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos EUA, Joe Biden.
E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável de minha melhor amiga durante os últimos 16 anos, a rocha de nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira-dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia amo vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam o novo cachorrinho que está indo conosco para a Casa Branca.
Apesar de não estar mais conosco, sei que minha avó está nos vendo, junto com a família que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.
A minha irmã Maya, minha irmã Auma, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grato a todos vocês. E a meu diretor de campanha, David Plouffe, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história dos EUA da América.
A meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.
À melhor equipe de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grato pelo que sacrificaram para conseguir.
Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Nunca pareci o candidato com mais chances. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de Washington. Começou nos quintais de Des Moines e nas salas de Concord e nas varandas de Charleston.
Foi construída pelos trabalhadores e trabalhadoras que recorreram às parcas economias que tinham para doar US$ 5, ou US$ 10 ou US$ 20 à causa.
Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás suas casas e seus familiares por empregos que os trouxeram pouco dinheiro e menos sono.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o frio gelado e o ardente calor para bater nas portas de desconhecidos, e dos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois séculos depois, um Governo do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Terra.
Esta é a vitória de vocês.
Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.
Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos valentes que acordam nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para dar a vida por nós.
Há mães e pais que passarão noites em claro depois que as crianças dormirem e se perguntarão como pagarão a hipoteca ou as faturas médicas ou como economizarão o suficiente para a educação universitária de seus filhos.
Há novas fontes de energia para serem aproveitadas, novos postos de trabalho para serem criados, novas escolas para serem construídas e ameaças para serem enfrentadas, alianças para serem reparadas.
O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos em um ano nem em um mandato. No entanto, EUA, nunca estive tão esperançoso como estou esta noite de que chegaremos.
Prometo a vocês que nós, como povo, conseguiremos.
Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a presidência. E sabemos que o Governo não pode resolver todos os problemas.
Mas, sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvirei a vocês, principalmente quando discordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta nação, da única forma como foi feita nos EUA durante 221 anos, bloco por bloco, tijolo por tijolo, mão calejada sobre mão calejada.
O que começou há 21 meses em pleno inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Esta vitória em si não é a mudança que buscamos. É só a oportunidade para que façamos esta mudança. E isto não pode acontecer se voltarmos a como era antes. Não pode acontecer sem vocês, sem um novo espírito de sacrifício.
Portanto façamos um pedido a um novo espírito do patriotismo, de responsabilidade, em que cada um se ajuda e trabalha mais e se preocupa não só com si próprio, mas um com o outro.
Lembremos que, se esta crise financeira nos ensinou algo, é que não pode haver uma Wall Street (setor financeiro) próspera enquanto a Main Street (comércio ambulante) sofre.
Neste país, avançamos ou fracassamos como uma só nação, como um só povo. Resistamos à tentação de recair no partidarismo, na mesquinharia e na imaturidade que intoxicaram nossa vida política há tanto tempo.
Lembremos que foi um homem deste estado que levou pela primeira vez a bandeira do Partido Republicano à Casa Branca, um partido fundado sobre os valores da auto-suficiência e da liberdade do indivíduo e da união nacional.
Estes são valores que todos compartilhamos. E enquanto o Partido Democrata conquistou uma grande vitória esta noite, fazemos com certa humildade e a determinação para curar as divisões que impediram nosso progresso.
Como disse Lincoln a uma nação muito mais dividida que a nossa, não somos inimigos, mas amigos. Embora as paixões os tenham colocado sob tensão, não devem romper nossos laços de afeto.
E àqueles americanos cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço suas vozes. Preciso de sua ajuda e também serei seu presidente.
E a todos aqueles que nos vêem esta noite além de nossas fronteiras, em Parlamentos e palácios, a aqueles que se reúnem ao redor dos rádios nos cantos esquecidos do mundo, nossas histórias são diferentes, mas nosso destino é comum e começa um novo amanhecer de liderança americana.
A aqueles que pretendem destruir o mundo: vamos vencê-los. A aqueles que buscam a paz e a segurança: apoiamo-nos.
E a aqueles que se perguntam se o farol dos EUA ainda ilumina tão fortemente: esta noite demonstramos mais uma vez que a força autêntica de nossa nação vem não do poderio de nossas armas nem da magnitude de nossa riqueza, mas do poder duradouro de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e firme esperança.
Lá está a verdadeira genialidade dos EUA: que o país pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conseguimos nos dá esperança sobre o que podemos e temos que conseguir amanhã.
Estas eleições contaram com muitos inícios e muitas histórias que serão contadas durante séculos. Mas uma que tenho em mente esta noite é a de uma mulher que votou em Atlanta.
Ela se parece muito com outros que fizeram fila para fazer com que sua voz seja ouvida nestas eleições, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Nasceu apenas uma geração depois da escravidão, em uma era em que não havia automóveis nas estradas nem aviões nos céus, quando alguém como ela não podia votar por dois motivos - por ser mulher e pela cor de sua pele.
Esta noite penso em tudo o que ela viu durante seu século nos EUA - a desolação e a esperança, a luta e o progresso, às vezes em que nos disseram que não podíamos e as pessoas que se esforçaram para continuar em frente com esta crença americana: Podemos.
Em uma época em que as vozes das mulheres foram silenciadas e suas esperanças descartadas, ela sobreviveu para vê-las serem erguidas, expressarem-se e estenderem a mão para votar. Podemos.
Quando havia desespero e uma depressão ao longo do país, ela viu como uma nação conquistou o próprio medo com uma nova proposta, novos empregos e um novo sentido de propósitos comuns. Podemos.
Quando as bombas caíram sobre nosso porto e a tirania ameaçou ao mundo, ela estava ali para testemunhar como uma geração respondeu com grandeza e a democracia foi salva. Podemos.
Ela estava lá pelos ônibus de Montgomery, pelas mangueiras de irrigação em Birmingham, por uma ponte em Selma e por um pregador de Atlanta que disse a um povo: "Superaremos". Podemos.
O homem chegou à lua, um muro caiu em Berlim e um mundo se interligou através de nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou uma tela com o dedo e votou, porque após 106 anos nos EUA, durante os melhores e piores tempos, ela sabe como os EUA podem mudar.
Podemos.
EUA avançamos muito. Vimos muito. Mas há muito mais por fazer. Portanto, esta noite vamos nos perguntar se nossos filhos viverão para ver o próximo século, se minhas filhas terão tanta sorte para viver tanto tempo quanto Ann Nixon Cooper, que mudança virá? Que progresso faremos?
Esta é nossa oportunidade de responder a esta chamada. Este é o nosso momento. Esta é nossa vez.
Para dar emprego a nosso povo e abrir as portas da oportunidade para nossas crianças, para restaurar a prosperidade e fomentar a causa da paz, para recuperar o sonho americano e reafirmar esta verdade fundamental, que, de muitos, somos um, que enquanto respirarmos, temos esperança.
E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Podemos.
Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe os EUA da América".

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL850269-15525,00-LEIA+A+INTEGRA+DO+DISCURSO+DE+VITORIA+DE+BARACK+OBAMA.html

Post de Felipe Honorato.


Escrito por Felipe/Ricardo às 14h06
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Em tempos sombrios, uma exceção!

Não conhecia Raul de Souza até este final de semana, quando o vi no programa "Manos e Minas" da Tv Cultura.Fiquei Impressionado com o Flow que ele produz em seu trombone...simplismente genial!!
Agora que tenho este espaço,onde minhas idéias são capazes de alcançar lugares que talvez eu nem chegue a conhecer,aproveito para homenagear este artista que, por tanto tempo, foi injustiçado.Parabéns Raul de Souza!

Raul de Souza

Biografia
Carioca do bairro de Bangu, começou a tocar trombone aos 16 anos, na banda da Fábrica de Tecidos de Bangu. Em seguida passou a atuar em gafieiras da cidade, e adotou o nome artístico Raulzinho, dado por Ary Barroso e adaptado mais tarde para Raul de Souza. De 1959 a 1963 esteve na Força Aérea Brasileira, onde tocava na banda. Quando saiu, foi tocar com Sergio Mendes, com quem excursionou pelos Estados Unidos e Europa. Também foi integrante da Orquestra Carioca da Rádio Mayrink Veiga. Em 1965 gravou o primeiro disco individual, "À Vontade Mesmo". Tocou com Luiz Carlos Vinhas e Gilberto Gil, morou em Paris, trabalhou no Cassino de Montecarlo e inventou o "souzabone", uma variação do trombone, com quatro válvulas (uma delas cromática) em vez das tradicionais três, e afinado dó. Em 1974 lançou o disco "Colors" nos Estados Unidos, produzido por Airto Moreira. Foi o primeiro de uma série de sucessos nos EUA, onde morou por vários anos e tocou ao lado de Sonny Rollins, Freddie Hubbard, George Duke, Chick Corea, Jimmy Smith e outros. Participou de festivais internacionais de jazz em Montreux, Monterrey e no Brasil, sendo considerado pela crítica especializada um dos maiores trombonistas do mundo. No final da década de 90 mudou-se para a França.

Discografia:
Bossa Eterna (2008) – Raul De Souza with João Donato (piano), Robertinho Silva (drums), Luiz Alves (bass) Credited Role : Main Performer Distribution : Biscoito Fino - Brésil & Discmedi Europe
Jazzmim (2006) – Raul De Souza By : Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : Biscoito Fino - Brésil & Discmedi Europe
Elixir (2005) - Raul de Souza By : Raul de Souza & Claire Michael Group Credited Role : Main Performer Distribution : Nocturne France – Tratore Brésil
Splendid Night (2003) - Raul De Souza By : Raul DeSouza Credited Role : Main Performer Distribution : Next Music
Rio (1998) - Raul De Souza By : Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : Mix House
The Other Side of the Moon (1993) – Raul de Souza By : Raul de Souza Credited Role : Main Performer Distribution : BMG
Viva Volta (1986) - Raul De Souza By : Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : R.G.E.
Til Tomorrow Comes (1979) - Raul De Souza B y: Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : Capitol Record
Don't Ask My Neighbors (1978) - Raul De Souza By : Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : Capitol Record
Sweet Lucy (1977) - Raul De Souza By : Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : Capitol Record
Colors (1974) - Raul De Souza By : Raul De Souza Credited Role : Main Performer Distribution : Milestone Record
International Hot (1968) - Raulzinho Impacto 8 By : Raulzinho Impacto 8 Credited Role : Main Performer Distribution : Whatmusic
A Vontade Mesmo (1965) - Raulzinho By : Raulzinho – Raul de Souza Credited Role : Main Performer Distribution : BMG

My new CD JAZZMIM - Distrib. Biscoito Fino Brazil 2006 - Discmedi Europe 2007 - Mutsumi Igarashi King Int. Japan 2007 -


Fontes: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=200396226 ; http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/raul-de-souza.asp

Post de Felipe Honorato.




Escrito por Felipe/Ricardo às 18h56
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E o espetaculo chega ao seu final!


Obama tem vitória arrasadora em duas pequenas localidades

Na eleição passada, as aldeias de Dixville Notch e Hart's Location preferiram o candidato republicano
Efe

WASHINGTON - O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, venceu de forma arrasadora as votações realizadas pouco após a meia-noite local (3 horas de Brasília) em duas pequenas localidades do estado de New Hampshire, informou a imprensa local.
Na aldeia de Dixville Notch, onde os 21 eleitores inscritos compareceram às urnas, Obama recebeu 15 votos, contra 6 de seu rival republicano, John McCain, informaram o diário Manchester Union Leader e a emissora WMUR.
Na também modesta localidade de Hart's Location, a vantagem do democrata também foi convincente: 17 votos contra 10 para McCain.
Outros dois eleitores apontaram em sua cédula o nome de Ron Paul, membro republicano da Câmara de representantes que perdeu para McCain nas primárias republicanas, mas que continuou sua candidatura por conta própria.
O independente Ralph Nader, cujo nome figura nas cédulas em New Hampshire, não conseguiu nenhum voto.
Estas duas pequenas vitórias de Obama indicam uma mudança de preferência política nessas duas localidades de New Hampshire, que nas últimas eleições, em 2004, tinham votado no atual presidente, o republicano George W. Bush.
Dixville Notch não tinha dado a maioria de seus votos a um candidato democrata desde 1968.
Em 2004, 19 dos eleitores deste povoado votaram em Bush, contra 6 que optaram pelo democrata John Kerry.

Fonte: http://www.estadao.com.br/internacional/not_int272007,0.htm

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 14h19
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Para Fidel Castro, Obama é 'mais inteligente' que McCain

Ex-presidente cubano diz que democrata seduz eleitores, mas que problemas do mundo não são suas prioridades
Ansa

HAVANA - Para o ex-presidente cubano Fidel Castro, o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, é "mais inteligente, culto e equilibrado" que seu adversário, o republicano John McCain. Em mais uma de suas reflexões publicadas pela imprensa oficial da ilha, Fidel diz que Obama tem idéias bem articuladas, e se vale delas para seduzir os eleitores.
Apesar disso, Fidel ressalta que os angustiantes problemas do mundo não ocupam um lugar importante entre as preocupações do democrata. O ex-presidente também comenta o fato de que Obama pode ser vítima de racismo ou atos violentos devido a sua cor.
Para o líder da Revolução Cubana, caso o vencedor seja McCain, a continuidade dos republicanos no governo dos Estados Unidos incrementaria o perigo de guerra e reduziria as oportunidades de os povos se desenvolverem. Apesar disso, prossegue ele, "é necessário lutar e criar consciência sobre isso, ganhe quem ganhe essas eleições".
Ao fim do texto, Fidel revela que se preocupou em publicar sua reflexão no exato dia em que ocorrem as eleições, para que não houvesse rumores de que suas opiniões poderiam influenciar a campanha. "Devia ser, e fui, neutro na disputa eleitoral. Não é uma 'ingerência nos assuntos internos dos Estados Unidos', como diria o Departamento de Estado (norte-americano), tão respeitoso com a soberania dos demais países", ironiza.

Fonte: http://www.estadao.com.br/internacional/not_int272170,0.htm

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 14h15
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Algumas "Malandragens" dos candidatos às eleições americanas

DIRTY TRICKS

From Staff & Wire Services

Posted Nov. 3, 2008 – Everything from confusing flyers and e-mails to disturbing phone calls are among the dirty tricks being tried to keep folks from voting or to confuse them, usually through intimidation or misinformation. Much of it has a racial tone.
Complaints have surfaced in predominantly African-American neighborhoods of Philadelphia, where fliers have circulated, warning voters they could be arrested at the polls if they had unpaid parking tickets or if they had criminal convictions, reports The Associated Press.

In Virginia, bogus fliers with an authentic-looking commonwealth seal said fears of high voter turnout had prompted election officials to hold two elections — one on Tuesday for Republicans and another on Wednesday for Democrats.

Tuesday is the official national Election Day for all voters.

In New Mexico, two Hispanic women filed a lawsuit last week claiming they were harassed by a private investigator working for a Republican lawyer who came to their homes and threatened to call immigration authorities, even though they are U.S. citizens.

Meanwhile, in Pennsylvania, e-mails appeared linking Democrat Barack Obama to the Holocaust.

"Jewish Americans cannot afford to make the wrong decision on Tuesday, Nov. 4," said the electronic message, paid for by an entity calling itself the Republican Federal Committee. "Many of our ancestors ignored the warning signs in the 1930s and 1940s and made a tragic mistake."

Laughlin McDonald, who leads the ACLU's Voting Rights Project, told AP that he’s never seen "an election where there was more interest and more voter turnout, and more efforts to suppress registration and turnout. And that has a real impact on minorities."

The Election Protection Coalition, an alliance of civil rights groups, has set up a hotline 1-866-OUR-VOTE, administered by the Lawyers' Committee for Civil Rights Under The Law, to handle complaints.

Fonte: http://www.bet.com/News/Decision08/beheard_news_newsarticlepoliticspreelectiontricks.htm?wbc_purpose=Basic&WBCMODE=PresentationUnpublished

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 21h49
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De como surgiu o nome desse blog

    riverrun, past Eve and Adam’s...É com estas palavras intrincadas e misteriosas que o escritor irlandês James Joyce(1882-1941) inicia sua obra final, o monumental Finnegans Wake.

    Joyce foi, talvez, o escritor que mais ousou esteticamente, trazendo experiências inacreditáveis com os limites da língua.Não só da língua inglesa, mas de todas as línguas possíveis, dentro do conhecimento de um autor que era também professor de línguas e que, entre muitas façanhas, aprendeu norueguês para ter a possibilidade de ler o dramaturgo Henrik Ibssen no original!

    Começou suas aventuras literárias com um simples e belo livro de poemas, Chamber Music(Música de Câmara), seguido do extraordinário livro de contos Dubliners (Dublinenses), que consagra a cidade de Dublin como personagem de seus escritos e traz o que pode ser o melhor conto do século XX:The dead(Os mortos), transformado em filme pelo grande John Huston, filme que ganhou, no Brasil, o título de Os Vivos e os Mortos.Foi o filme-testamento de Huston.Após Dublinenses, veio o autobiográfico A Portrait of the Artist as a Young Man(Retrato do Artista Quando Jovem), que nos traz Stephen Dedalus, personagem que seria um dos mais importantes de sua grande obra-prima:Ulisses.Ulisses trata basicamente de um dia na vida de um homem de meia-idade e classe média, Leopold Bloom.Os experimentos e o fluxo de consciência produzidos por Joyce vem em torrentes furiosas, principalmente no monólogo final, protagonizado por Molly Bloom, a esposa de Leopold, criando uma obra que marcaria a literatura daí em diante.Joyce também escreveu uma peça de teatro, Exiles(Exilados).

    Já sua obra final, Finnegans Wake, cuja composição durou 17 anos, foi primeiramente chamada de Work in Progress.Como uma obra que nunca acabaria, produzindo infinitas possibilidades de escrita e leitura.É uma obra única, labirinto circular que abole todas as fronteiras entre literatura, história, prosa, poesia, narrativa.Sua tradução é dificílima, sua leitura tentadora e desafiadora.De Finnegans Wake, a work in progress, vem o nome de nosso espaço.

    Há uma tradução excelente da obra(dos outros livros também, principalmente a última publicada de Ulisses), feita por Donaldo Schurer e publicada em 5 volumes, pelo Ateliê Cultural.Edição brilhante, preciosa, bilíngüe e muito cara, infelizmente.Para quem quiser arriscar uma leitura no original, tarefa hercúlea, dê uma olhada no link: http://finwake.com/

 

 

 

Post de Ricardo Amarante



Escrito por Felipe/Ricardo às 15h10
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Para quem gosta de futebol, algumas colocações do Dr. da Bola

Maquiavel explica
Sócrates


Além de mais um escandaloso 0 a 0, jogando em casa contra a Colômbia e sem apresentar quase nada de futebol, o que mais estranhei no último jogo da seleção no Maracanã foi a presença do auxiliar técnico Jorginho na coletiva de imprensa do treinador Dunga. Isso sem falar das respostas evasivas, sem conteúdo, do “comandante”, que em nada ajudam a desvendar o seio dessa microssociedade chamada seleção brasileira, representante de todos nós. Prestar contas dos resultados obtidos pela instituição, parece-me, não é visto como obrigação por quem a dirige, como se todos os apaixonados por futebol e pagantes dos eventos promovidos pela CBF devessem ser tratados como meros curiosos ou coisa pior e malcheirosa.

Voltemos a Jorginho, a quem respeito como cidadão, ainda que muito menos ao seu chefe, o qual, em situação claramente desvantajosa, dele exigiu os préstimos para orientá-lo em suas ocas respostas. Esse fato é mais que preocupante, é trágico. É um gigantesco sinal de insegurança que, quando está presente nos sentimentos de quem possui cargo de direção tão importante, nos leva a imaginar o que provocaria em seu poder decisório no caso de um contratempo de grandes proporções. Talvez o imobilizasse, impedindo também qualquer reação de seus atletas. Um líder jamais pode dar mostras de que está perdido e acuado, pois sua tropa dele se afastará. Já dizia Maquiavel, séculos atrás, no seu genial O Príncipe.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=2531

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 12h12
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A Crise Está Assustando Todo Mundo!


Unibanco e Itaú anunciam fusão e criam gigante financeiro

Banco deverá ser o maior do hemisfério sul, segundo comunicado.
Nova controladora será denominada Itaú Unibanco Holding S.A.

Os bancos brasileiros Unibanco e Itaú anunciaram nesta segunda-feira (3) que se unirão para formar um conglomerado com valor de mercado entre os 20 maiores do mundo. O novo banco deverá ser o maior do hemisfério sul, segundo comunicado oficial do banco Itaú.

Segundo a nota da instituição, a operação “surge em momento de grandes mudanças e oportunidades no mundo, particularmente no setor financeiro”. A operação precisa ser aprovada em assembléias extraordinárias de acionistas - previstas para serem realizadas entre a última semana de novembro e a primeira semana de dezembro -, pelo Banco Central do Brasil e demais autoridades competentes.



Segundo as instituições financeiras, o novo banco resultante da fusão terá R$ 575 bilhões em ativos e patrimônio líquido de cerca de R$ 51,7 bilhões. Contará com aproximadamente 4,8 mil agências, representando 18% da rede bancária; e 14,5 milhões de clientes de conta corrente, ou 18% do mercado.

Em volume de crédito, representará 19% do sistema brasileiro; e em total de depósitos, fundos e carteiras administradas, atingirá 21%.



Ainda de acordo com o comunicado oficial do Itaú, nada muda operacionalmente para os clientes dos dois bancos neste momento. Todos continuarão a utilizar normalmente os diferentes canais de atendimento, cheques, cartões e demais produtos e serviços.



Ranking

Segundo levantamento da consultoria Economatica, o banco resultante da fusão será o 9º maior das Américas em ativos, com US$ 324,041 bilhões, à frente do Banco do Brasil, com US$ 261,639 bilhões, e do Bradesco, com US$ 220,815 bilhões.



Entre os bancos com capital aberto, o Itaú-Unibanco será o sexto maior da Américas em valor de mercado, com US$ 41,323 bilhões, à frente do Bradesco, com US$ 34,162 bilhões.



Novo modelo

Os controladores da Itaúsa e Unibanco constituirão uma holding em modelo de governança compartilhada. O Conselho de Administração será presidido por Pedro Moreira Salles (atual Unibanco) e o presidente-executivo será Roberto Egydio Setubal (atual Itaú). O anúncio foi feito com base em uma negociação de mais de um ano.



Segundo comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), onde os dois bancos têm ações negociadas, a associação contemplará reorganizacao societária, que resultará na migração dos atuais acionistas do Unibanco Holdings S.A. e Unibanco - União de Bancos Brasileiros S.A., mediante incorporações de ações, para uma companhia aberta, a ser denominada Itaú Unibanco Holding S.A., atual Banco Itaú Holding Financeira S.A., cujo controle sera compartilhado entre a Itaúsa – Investimentos Itaú S.A. e os controladores da Unibanco Holdings, por meio de holding não financeira a ser criada.



Procurados pelo G1, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e o Banco Central ainda não devem se pronunciar. O G1 aguarda resposta da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL846978-9356,00-UNIBANCO+E+ITAU+ANUNCIAM+FUSAO+E+CRIAM+GIGANTE+FINANCEIRO.html

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 11h58
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Para Quem Gosta De Um Bom Filme...

Minha dica é o filme "Todos a Bordo", dirigido pelo mestre Spike Lee; Confiram a sinopse do filme no link abaixo:

http://epipoca.uol.com.br/filmes_detalhes.php?idf=10303

Assistam!Vale a Pena.

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 23h37
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Nosso Contato

wakeinprogress@gmail.com

Para sugestões,pedidos,elogios e etc...

Escrito por Felipe/Ricardo às 23h23
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o corvo - parte final

Um demônio sonhando. A luz caída

Do lampião sobre a ave aborrecida

No chão espraia a triste sombra; e fora

Daquelas linhas funerais

Que flutuam no chão, a minha alma que chora

Não sai mais, nunca, nunca mais!

 

Isso é o q um gênio literário(ou gênios, no caso dos tradutotes) pode fazer.Além de poesias, Poe escreveu contos fantásticos, podendo ser considerado o pai das histórias de detetive, estilo pelo qual mais tarde se consagraria Conan Doyle.O norte-americano foi simplesmente gigante.Quem tiver interesse, procure Histórias Extraordinárias!Contos macabros, grotescos e simplesmente sensacionais!

 

Post de Ricardo Amarante



Escrito por Felipe/Ricardo às 22h56
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o corvo - parte 5

Toda sua alma resumisse.

Nenhuma outra proferiu, nenhuma,

Não chegou a mexer uma só pluma,

Até que eu murmurei: "Perdi outrora

Tantos amigos tão leais!

Perderei também este em regressando a aurora."

E o Corvo disse: "Nunca mais."

Estremeço. A resposta ouvida

É tão exata! é tão cabida!

"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência

Que ele trouxe da convivência

De algum mestre infeliz e acabrunhado

Que o implacável destino há castigado

Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,

Que dos seus cantos usuais

Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,

Esse estribilho: "Nunca mais."

Segunda vez, nesse momento,

Sorriu-me o triste pensamento;

Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;

E mergulhando no veludo

Da poltrona que eu mesmo ali trouxera

Achar procuro a lúgubre quimera

A alma, o sentido, o pávido segredo

Daquelas sílabas fatais,

Entender o que quis dizer a ave do medo

Grasnando a frase: "Nunca mais."

Assim, posto, devaneando,

Meditando, conjecturando,

Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,

Sentia o olhar que me abrasava,

Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,

Com a cabeça no macio encosto,

Onde os raios da lâmpada caiam,

Onde as tranças angelicais

De outra cabeça outrora ali se desparziam,

E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,

Todo se enchia de um incenso.

Obra de serafins que, pelo chão roçando

Do quarto, estavam meneando

Um ligeiro turíbulo invisível;

E eu exclamei então: "Um Deus sensível

Manda repouso à dor que te devora

Destas saudades imortais.

Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."

E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!

Ave ou demônio que negrejas!

Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno

Onde reside o mal eterno,

Ou simplesmente náufrago escapado

Venhas do temporal que te há lançado

Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo

Tem os seus lares triunfais,

Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?"

E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta, ou o que quer que sejas!

Ave ou demônio que negrejas!

Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!

Por esse céu que além se estende,

Pelo Deus que ambos adoramos, fala,

Dize a esta alma se é dado inda escutá-la

No Éden celeste a virgem que ela chora

Nestes retiros sepulcrais.

Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"

E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Ave ou demônio que negrejas!

Profeta, ou o que quer que sejas!

Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!

Regressa ao temporal, regressa

À tua noite, deixa-me comigo.

Vai-te, não fica no meu casto abrigo

Pluma que lembre essa mentira tua,

Tira-me ao peito essas fatais

Garras que abrindo vão a minha dor já crua."

E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo aí fica; ei-lo trepado

No branco mármore lavrado

Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.

Parece, ao ver-lhe o duro cenho,

 



Escrito por Felipe/Ricardo às 22h52
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o corvo - parte 4

O CORVO

Por Machado de ASSIS

Em certo dia, à hora, à hora

Da meia-noite que apavora,

Eu caindo de sono e exausto de fadiga,

Ao pé de muita lauda antiga,

De uma velha doutrina, agora morta,

Ia pensando, quando ouvi à porta

Do meu quarto um soar devagarinho

E disse estas palavras tais:

"É alguém que me bate à porta de mansinho;

Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!

Era no glacial dezembro;

Cada brasa do lar sobre o chão refletia

A sua última agonia.

Eu, ansioso pelo sol, buscava

Sacar daqueles livros que estudava

Repouso (em vão!) à dor esmagadora

Destas saudades imortais

Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,

E que ninguém chamará jamais.

E o rumor triste, vago, brando,

Das cortinas ia acordando

Dentro em meu coração um rumor não sabido

Nunca por ele padecido.

Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,

Levantei-me de pronto e: "Com efeito

(Disse) é visita amiga e retardada

Que bate a estas horas tais.

É visita que pede à minha porta entrada:

Há de ser isso e nada mais."

Minhalma então sentiu-se forte;

Não mais vacilo e desta sorte

Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -

Me desculpeis tanta demora.

Mas como eu, precisando de descanso,

Já cochilava, e tão de manso e manso

Batestes, não fui logo prestemente,

Certificar-me que aí estais."

Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,

Somente a noite, e nada mais Com longo olhar escruto a sombra,

Que me amedronta, que me assombra,

E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,

Mas o silêncio amplo e calado,

Calado fica; a quietação quieta:

Só tu, palavra única e dileta,

Lenora, tu como um suspiro escasso,

Da minha triste boca sais;

E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;

Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.

Logo depois outra pancada

Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:

"Seguramente, há na janela

Alguma coisa que sussurra. Abramos.

Ela, fora o temor, eia, vejamos

A explicação do caso misterioso

Dessas duas pancadas tais.

Devolvamos a paz ao coração medroso.

do vento e nada mais."

Abro a janela e, de repente,

Vejo tumultuosamente

Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.

Não despendeu em cortesias

Um minuto, um instante. Tinha o aspecto

De um lord ou de uma lady. E pronto e reto

Movendo no ar as suas negras alas.

Acima voa dos portais,

Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;

Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,

Naquela rígida postura,

Com o gesto severo - o triste pensamento

Sorriu-me ali por um momento,

E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas

Vens, embora a cabeça nua tragas,

Sem topete, não és ave medrosa,

Dize os teus nomes senhoriais:

Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"

E o Corvo disse: "Nunca mais."

Vendo que o pássaro entendia

A pergunta que lhe eu fazia,

Fico atônito, embora a resposta que dera

Dificilmente lha entendera.

Na verdade, jamais homem há visto

Coisa na terra semelhante a isto:

Uma ave negra, friamente posta,

Num busto, acima dos portais,

Ouvir uma pergunta e dizer em resposta

Que este é o seu nome: "Nunca mais."

No entanto, o Corvo solitário

Não teve outro vocabulário,

Como se essa palavra escassa que ali disse



Escrito por Felipe/Ricardo às 22h52
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o corvo - parte 3

E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -

Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

Isso só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,

Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.

"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.

Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."

Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça, Entrou grave e nobre um corvo dos bons

tempos ancestrais.

Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,

Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,

Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura

Com o solene decoro de seus ares rituais.

"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,

Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!

Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,

Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.

Mas deve ser concedido que ninguém terá havido

Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,

Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,

Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.

Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento

Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais

Todos - todos já se foram. Amanhão também te vais".

Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,

"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,

Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono

Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,

E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,

Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;

E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira

Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,

Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo

À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,

No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,

Naquele veludo one ela, entre as sobras desiguais,

Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso

Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.

"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te

O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,

O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!

Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,

A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,

A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais

Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!

Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.

Dize a esta alma entristecida se no Édem de outra vida

Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,

Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!

Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!

Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!

Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!

Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda

No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.

Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,

E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

Libertar-se-á... nunca mais!

 



Escrito por Felipe/Ricardo às 22h50
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o corvo-parte 2

in front of bird and bust and door,

Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking

Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore -

What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore

Meant in croaking, "Nevermore."

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing

To the fowl, whose fiery eyes now burned into my bosom's core;

This and more I sat divining, with my head at ease reclining

On the cushion's velvet lining that the lamp-light gloated o'er

But whose velvet-violet lining with lamp-light gloating o'er

She shall press, ah, nevermore!

Then methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer

Swung by seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.

"Wretch," I cried, "thy God has lent thee - by these angels he hath sent

thee Respite - respite the nephente from thy memories of Lenore!

Quaff, oh, quaff this kind nephente and forget this lost Lenore!"

Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil! - prophet still, if bird of devil!

Whether Tempter sent, or whatever tempest tossed thee ashore,

Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted -

On this home by Horror haunted - tell me truly, I implore - Is there - is there balm in

Gilead? - tell me - tell me, I implore!"

Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil! - prophet still, if bird of devil!

By that Heaven that bends above us - by that God we both adore -

Tell his soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,

It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore -

Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."

Quoth the Raven, "Nevermore."

"Be that word our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting -

"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!

Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!

Leave my loneliness unbroken! - quit the bust above my door!

Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!

Quoth the Raven, "Nevermore."

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting

On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;

And his eyes have all the seeming of a demon that is dreaming,

And the lamp-light o'er him streaming throws his shadow on the floor,

And my soul from out that shadow that lies floating on the floor

Shall be lifted - nevermore!

O CORVO

Por Fernando PESSOA

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,

Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,

E já quase adormecia, ouvi o que parecia

O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.

"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,

E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.

Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada

P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -

Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo

Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!

Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,

"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;

Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,

"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;

Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,

Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,

Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,

Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.

Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,



Escrito por Felipe/Ricardo às 22h49
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Um Pouco de Literatura

Para surpreender os acostumados a literatura simples, ágil, porém nem sempre agradável de best-sellers comuns e muitas vezes insossos, aqui vai O Corvo, do mestre do terror Edgar Allan Poe.Ele era o mestre do terror, e não Stephen King.Um poema perfeito, que levou anos para ser escrito, e que consegue ser mais mórbido do que qualquer letrinha de música babona a que estamos acostumados diariamente a ouvir!E ainda vem com as traduções de Fernando Pessoa e do nosso Machado de Assis.Pode não ser crível, sendo que os dotes poéticos de Pessoa eram incrivelmente mais desenvolvidos que os de Machado, mas eu considero a tradução do carioca superior.Comprovem(o texto terá q ser dividido em mais de um post):

THE RAVEN

Edgar Allan POE

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary

Over many a quaint and curious volume of forgotten lore -

While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,

As of someone gently rapping, rapping at my chamber door.

" 'Tis some visitor, " I muttered, "tapping at my chamber door -

Only this and nothing more."

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December;

And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.

Eagerly I wished the morrow - vainly I had sought to borrow

From my books surcease of sorrow - sorrow for the lost Lenore -

For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore -

Nameless here for evermore.

And the silken, sad, uncertain rustling of each purple curtain

Thrilled me - filled me with fantastic terrors never felt before:

So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating.

" 'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door -

Some late visitor entreating entrance at my chamber door -

That it is and nothing more."

Presently my soul grew stronger: hesitating then no longer,

"Sir, " said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore:

But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,

And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,

That I scarce was sure I heard you" - here I opened wide the door –

Darkness there and nothing more.

Deep into the darkness peering, long I stood there wondering fearing.

Doubting, dreaming dreams no mortal ever dared to dream before:

But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,

And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore?"

This I whispered, and an echo murmured back the word "Lenore!" -

Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my soul within me burning,

Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.

"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice;

Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore –

Let my heart be still a moment and this mystery explore -

'T is the wind an nothing more!"

Open here i flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,

In there stepped a stately Raven of the saintly days of yore;

Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he;

But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door -

Perched upon a bust of Pallas just a bove my chamber door -

Perched, and sat, and nothing more.

Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,

By the grave and stern decorum of the countenance it wore,

"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no craven,

Ghastly grim and ancient Raven wandering from the Nightly shore -

Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"

Quoth the Raven, "Nevermore."

Much I marveled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,

Though its answer little meaning - little relevancy bore;

For we cannot help agreeing that no living human beeing

Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door -

Bird or beast upon the sculplured bust above his chamber door,

With such name as "Nevermore."

But the Raven sitting lonely on the placid bust, spoke only

That one word, as if his soul in that one word he did outpoor.

Nothing further then he uttered, not a feather then he fluttered -

Till I scarcely more then muttered, "Other friends have flown before -

On the morrow he will leave me, as my Hopes have flown before."

Then the bird said, "Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,

"Doubtless," said I, "what it utteres is it only stock and store

Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster

Followed fast and followed faster till his songs one burden bore -

Till the dirges of his Hope the melancholy burden bore

Of 'Never - nevermore.'"

But the Raven still beguiling all my fancy into smiling, Straight I wheeled a cushioned seat



Escrito por Felipe/Ricardo às 22h46
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Para Iniciarmos em Grande Estilo!



EU TENHO UM SONHO
Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)
"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

Fonte: http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/discursoking.htm

Post de Felipe Honorato.

Escrito por Felipe/Ricardo às 22h10
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